O jornalismo é a praxe da ética, não vista como adjetivo e sim como um conjunto de valores que orientam o comportamento. Especificadamente do jornalista, no cumprimento da responsabilidade profissional. Serve como alicerce.
A imprensa sempre esteve ligada à liberdade de expressão, representante da democracia e da sociedade diante do poder público. É garantido pela Declaração Universal dos Direitos Homem, de 1948, artigo 19 “procurar, receber e transmitir informações por quaisquer meios independentes das fronteiras”. O jornalista deve estar a serviço do cidadão e informar a verdade dos fatos.
Muitos profissionais julgam estar acima do bem, do mal, de todos. Envolvidos pelo fetiche da glória, arriscam-se a cometer irresponsabilidades na profissão. Sua função deixa de ser trabalhar para os interesses do público, e passa a ser a busca de status e capas no jornal.
O filme “Shattered Glass” exemplifica a situação. A obra conta a trajetória do jovem Stephen Glass, jornalista da importante revista “New Republic”. Ele publicava reportagens noticiosas que na verdade eram inventadas. No entanto a farsa foi descoberta, o jovem perdeu o emprego e o bem mais precioso da profissão: a credibilidade. Glass representa o típico profissional ambicioso, que almeja ser reverenciado.
É sempre importante destacar que a máxima que “os fins justificam os meios” deve ser descartada, pois não se pode cometer um ato ilícito para benefícios tanto de outros como próprios. O jornalismo deve estar atado à responsabilidade, no repasse da informação, não ludibriando a opinião pública.
O profissional tem de estar atento ás falhas da imprensa e ter uma visão crítica do que é transmitido. Comporta-se como agente passivo é perigoso, pois essa conduta traz males nocivos.
A demonstração mais espetacular e cômica de como é fácil enganar. Foi a transmissão de rádio feita por Orson Welles. Ele simulou uma invasão alienígena na Terra como se fosse real. No entanto tudo era encenação de um grupo e atores. Algumas pessoas acreditaram, entrando em estado de desespero. Foi um comportamento patético das partes, levando em conta que bastaria mudar de estação e averiguar, para perceber que tudo era fictício. O caso reforça a tese de que não se deve acreditar em tudo que se ouve ou te mesmo se vê.
Discussões relacionadas à ética devem ser debatidas sempre, vista como essencial para o funcionamento correto da profissão e da sociedade.
A credibilidade e o compromisso de mostrar os fatos com objetividade e responsabilidade garantem a confiança do publico. O professor de ética jornalística, Carlos Soria, da Universidade de Navarra, na Espanha afirma que “ética é informar com qualidade”.
